Crônica do Cabelo - Sampasseando!
Posted by Cabelo on November 28th, 2009 filed in Crônica do CabeloEta cidadezinha grande, essa! Mas não resisto a voltar pra cá. Por mais que eu conheça outros lugares, até mais bonitos, outros ditos maravilhosos e abençoados por deus; não há lugar como a nossa terra, aquela em que nascemos e nos criamos. Onde sabemos as rotas de fugas, os pontos altos e baixos, onde sabemos aproveitar o tempo e sorrir em meio ao caos urbano! E ainda que não reconheçam a beleza paulistana, a mesma que já disseram estar escondida nas deselegâncias discretas de nossas meninas, há sim muito do belo na Paulicéia - e digo sem desvairamento - e nem me valho da onda de que o que é feio é belo, não é esse o caso.
Por exemplo, cultura e história convidam a uma volta pela região da Luz. E tanta gente passa por lá e nem se dá conta de tudo que passa diante dos olhos a cada passo. É na região da Estação da Luz que qualquer pessoa pode apreciar a natureza, a arte, e se enriquecer culturalmente. E nem a falta de tempo pode ser desculpa. Com acesso fácil pelo Metrô e trens da CPTM, faz-se um passeio curto conhecendo vários pontos turísticos de São Paulo. Ou, mesmo durante o ir e vir do trabalho, quem toma ônibus, Metrô ou trem na região, basta alçar os olhos para as construções e apreciar - já vale o passeio.
O próprio edifício da Estação da Luz, aberta ao público em 1901 com estruturas trazidas da Inglaterra, foi restaurado há poucos anos. É uma bela construção imitando o Parlamento Inglês com o Big Ben, onde apenas caminhar em seu entorno ou seu interior já despertam admiração. Na Estação há o Museu da Língua Portuguesa com salas interativas e muitas informações sobre a língua falada aqui no Brasil, suas variantes e influências, além de exposições sazonais ligadas aos grandes nomes da literatura brasileira. E um detalhe, os ingressos possuem preços módicos.
Ao lado da Estação é possível entrar em contato com a natureza e a arte. É a oportunidade de quem caminha pelo Parque da Luz. Lá permanecem obras de vários artistas ao longo dos caminhos do parque, além dos lagos e muitas árvores nativas. Claro, existem também inúmeras trabalhadoras marcando seu ponto nas alamedas do parque - e na maioria não são tão belas assim… De todo jeito é sem dúvida um local agradável para refletir e tentar pensar na possibilidade de momentos de paz no centro da metrópole.
Em uma das esquinas do enorme quadrado que compreende o Parque da Luz encontramos a Pinacoteca do Estado. Projetado por Ramos de Azevedo em 1897, com paredes de tijolos não revestidos e amplas janelas, a Pinacoteca abriga muitas exposições importantes e conta com uma vasta programação cultural. É bem verdade que os ingressos para as grandes exposições não são muito populares, mas ainda assim há muito do que se aproveitar.
Caminhando pela Rua Mauá, ao lado da Estação da Luz, em direção à Praça Princesa Isabel e à Rua Duque de Caxias, chega-se à bela Estação Júlio Prestes, também restaurada e transformada em complexo cultural. Fundada em 10 de julho de 1872 era a principal parada da Estrada de Ferro Sorocabana no escoamento do café. O prédio atual, no entanto, é de 1925: fruto do enriquecimento do estado com o café houve a necessidade de construir uma estação maior que foi projetada por Cristiano Stockler das Neves no estilo francês Luís XV. Hoje ela abriga a Sala São Paulo, que apresenta grande variedade de espetáculos, óperas, sinfônicas e afins.
Para o outro lado da Estação da Luz, seguindo pela Avenida Tiradentes, após o Parque da Luz, em poucos passos se chega ao Mosteiro da Luz que abriga o Museu de Arte Sacra de São Paulo. A construção fundada em 1774 é a única edificação colonial do século XVIII em São Paulo que preserva seus elementos, materiais e estrutura originais. Boa parte do acervo do Museu nasceu da demolição da antiga igreja da Sé para a construção da atual catedral e compreende o “Museu de Presépios”, um enorme acervo de peças de arte sacra, e até obras de Aleijadinho.
Em uma hora de almoço dá para conhecer pelo menos todos os prédios e o parque, ainda que de passagem. Em um sábado é possível fazer um passeio gostoso e visitar um dos museus além de descansar no Parque da Luz. Assim, deixo alguns passos para quem quiser seguir e descobrir a bela São Paulo “escondida” debaixo de nossos narizes, ao redor de nossos passos sempre apressados.
Paulo Cabelo
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