Papo de Butequim - Marido X Menstruação

Posted by Cabelo on March 15th, 2010 filed in Papo de Butequim
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“Marido é igual a menstruação: Quando chega, incomoda; quando atrasa, preocupa.”


Crônica do Bogado - Códigos de Honras

Posted by bogadolins on March 14th, 2010 filed in Crônica do Bogado
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Existe uma fábula que eu não estou muito certo se é assim, mas a essência é esta. Um escorpião e um sapo estavam no lado de um rio que gradativamente alagava. Apenas o sapo tinha capacidade para pular para o outro lado e se salvar e o escorpião fatalmente iria se afogar. Um pouco antes porém o escorpião pede para o sapo levá-lo em suas costas. O sapo, desconfiado, questiona se o peçonhento não iria picá-lo no meio do caminho. No mesmo momento o escorpião retruca dizendo que se o fizesse iria morrer junto com ele. Depois deste bom argumento, o sapo leva o escorpião em suas costas e, no meio do pulo, leva uma picada do dito cujo. Um pouco antes de morrer pergunta porque ele havia feito tamanha burrada, já que agora os dois iriam morrer. O escorpião responde resignado: É minha natureza.

Sempre que lembro desta história imediatamente recordo do código de honra da maior parte dos cariocas. É bem simples na verdade: Perco o amigo, mas não perco a piada. Parece banal, mas é, como dizem os americanos, um full time job. Um autêntico carioca leva isto tão a sério que frequentemente se prejudica em situações sociais, principalmente em terras exógenas. Simplesmente não pode se conter, afinal é da sua natureza.

Eu mesmo já me prejudiquei algumas vezes. Numa ocasião fui a uma festa daquelas que se convidam a todos e você se depara na casa de alguém onde conhece, se muito, uma meia dúzia de pessoas. A única informação que tinha é que a festa era por motivo de mudança do dono da casa. Papo vem, papo vai, finalmente pergunto para o dito cujo

- para onde você vai se mudar?

- Vitória.

- Pô e eu todo crente que era Nova York, ou Paris…

No mesmo momento percebi que ria sozinho e que, bem havia perdido um amigo que nem tinha. Enfim, coisas da vida. Está certo que possivelmente a piada não era tão boa, mas mesmo assim, nada poderia fazer. Perco o amigo, nunca a piada.

Este na verdade é uma faceta das muitas peculiaridades dos cariocas que seus vizinhos muitas vezes não conseguem entender. Assustam-se com a capacidade do carioca contar toda a vida dele para um completo estranho, talvez chorar no meio da conversa, e depois nunca mais olhar na sua cara. “Valeu, me liga!” Mas quem disse que deixou telefone? É um “liga” meio metafórico que significa praticamente o seu oposto, “não me procure, agente conversa mais se, por acaso, agente se esbarrar.”

Somos assim, mais ou menos como os piratas, caóticos, porém cheios de princípios. E não largamos mão disto, seja lá onde estivermos, afinal é da nossa natureza.


Jornalismo, Globo e Fórmula Indy

Posted by Cabelo on March 13th, 2010 filed in Crônica do Cabelo
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A cidade de São Paulo abrigará neste fim de semana um grande evento internacional cujos preparativos se realizaram quase que em tempo recorde. Em quatro meses se concretizou uma pista de corrida de automóveis no entorno do complexo do Anhembi passando pelo Sambódromo para a realização do primeiro grande prêmio da Fórmula Indy, sendo que, nesse meio tempo, como não poderia deixar de ser, ocorreram os desfiles de escola de samba e todo o carnaval.

A avenida do samba apenas três semanas depois dá lugar à reta principal de largada e chegada do circuito; de sambódromo a autódromo e com elogios à organização feitos pela FIA. Só para constar o Brasil possui inúmeros circuitos fora de São Paulo, inclusive o tradicional de Jacarepaguá do Rio que já abrigou a Fórmula Indy; mas os organizadores avaliaram que seria melhor a opção nas ruas de Sampa. Muitos devem estar se perguntando “mas por que não fazem em Interlagos?” Pois a organização da Fórmula 1 não permite que os circuitos de seu campeonato sejam utilizados pela Indy, provavelmente para evitar comparações.

Mudando um pouco o foco, um evento desse porte merece toda a cobertura jornalística, não e? Afinal, a função de um jornal é, ou deveria ser informar, mas não simplesmente isso. É preciso agregar o maior número de informação interessante ao seu público-alvo. Se este público é a massa, mais abrangente será, ou deverá ser, seu leque de informações. Aliado a isso temos as questões financeiras e a publicidade que sustenta a maioria dos jornais, mas da qual não interessa aqui.

Pode-se dizer que um telejornal segue a mesma lógica com a vantagem e se desenvolver e aproveitar os recursos áudios-visuais, que em menor tempo passam mais informações ao espectador. De todo jeito, o mote aqui não comparar a mídia impressa com a televisiva.

A Fórmula Indy norte americana é tão importante quanto a Fórmula 1 européia. Envolve cifras igualmente estratosféricas e desenvolve tecnologia de ponta, sendo que os bólidos da Indy costumam atingir velocidades maiores que os Fórmula 1. Com tudo isso, como pode uma emissora como a Rede Globo simplesmente ignorar tal evento. Quem acompanha o automobilismo sabe que o Brasil tem uma tradição de pilotos vitoriosos em ambas as categorias.

A Globo detém os direitos de transmissão exclusiva da Fórmula 1 há décadas e nunca se interessou por outras modalidades do automobilismo (quando muito a stock car, mas só depois que os filhos do Galvão passaram a concorrer…). Todos sabem o quão rígida é a programação da emissora que às vezes chega a cortar transmissões para seguir com a grade normal. Por outro lado, desde a década de 80 com a ida de Emerson Fittipaldi para os EUA e os vários acordos, a rede Bandeirantes passou a transmitir a Fórmula Indy. Entre os canais abertos, até o auge em meados dos anos 90, a Bandeirantes passou a ser conhecida como o canal do esporte, basicamente só não passava Fórmula 1, por que todos os outros esportes tinham sua vez na programação.

Agora me pergunto, será que informar um determinado fato de transmissão exclusiva de outra emissora é fazer a promoção desta outra? Ou, ignorar um notório acontecimento por que ele é transmitido por outro canal é jornalismo? Como posso confiar no Jornal Nacional se ele exclui a maior novidade esportiva do ano na cidade de São Paulo? O duro é que a Globo é o canal inercial de quase toda a população brasileira, o que significa uma enorme irresponsabilidade ignorar um acontecimento tão importante.
Paulo Cabelo


Flores de Aço

Posted by Cabelo on March 11th, 2010 filed in poesia do cabelo
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Oh! Ser supremo
De tão doce, delicado
Dizem-no frágil
Que besteira!

Como inferiorizar algo tão maior?
Que pode ser tão sensível
E ao mesmo tempo firme como rocha
Sempre pronta para a luta
Que chora, ri, sofre, sem medo
Muitas vezes subordinadas à emoção
Que traz à luz a vida
E se entrega a quem ama

Oh! Flores de aço
Tão belas e adoráveis
Gestos suaves escondem sua força
Como admiro as mulheres!

Paulo Cabelo


Mora na Filosofia - Silêncio

Posted by Cabelo on March 10th, 2010 filed in Mora na Filosofia
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“Há tantas palavras que não dizem o silêncio.”

Herberto Helder


Papo de Butequim - Mentiras dos homens

Posted by Cabelo on March 9th, 2010 filed in Papo de Butequim
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“Os homens mentiriam muito menos se as mulheres fizessem menos perguntas.”


Mora na Filosofia - Homenagem as Mulheres

Posted by bogadolins on March 8th, 2010 filed in Mora na Filosofia
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“Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para se fazer um lar.”

Provérbio Chinês


Crônica do Bogado - Jogo da Vida

Posted by bogadolins on March 7th, 2010 filed in Crônica do Bogado
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Bergson no seu livro O Riso explica um dos principais mecanismos literários para separar o genêro do drama e da comédia. Os dois podem se utilizar do mesmo personagem, a diferença é sutil, ou melhor, grotesca. Para rirmos basta que não haja passado. Explico-me: o riso vem do estereótipo. Se você contar a triste história de porque que o avarento se avarou, discursando sobre seu passado triste, por causa da pobreza ou mesmo de uma família que lhe insinou impiedosamente a ser mão de vaca, no mesmo momento o riso se esvai. Woody Allen explorou muito bem este dilema no filme Melina, Melina. Faz uso de uma mesma história para descrevê-la primeiro com contornos dramáticos e depois de forma humorística.

Tal  reflexão faz pensar sobre a condição humana. Quando rimos sobre alguém porque é ridículo, na verdade estamos rindo do seu estereótipo, esquecendo que há uma pessoa por detrás dele. Desta forma, pode-se considerar que há uma certa função social no riso: Mostrar as pessoas o que não deve ser feito, o que é ridículo socialmente.

Atualmente, porém, tenho refletido sobreos filmes de ação, utilizando-se do mesmo prisma. Precisamos de heróis que passem todos os obstáculos e matem todos os inimigos. Mas quem são estes inimigos? Os filmes de Hollywood são verdadeiras chacinas e se elas fossem de fato reproduzidas na vida real, acredito que a humanidade estaria subtraida de um boa quantidade de indíviduos. Mas o mais importante é perceber como eles são representados nestes filmes. Geralmente são o estereótipo de um inimigo, sem identidade e sem história. Se soubessemos igualmente porque aquele sujeito se tornou um ninja do mal - como por exemplo uma vida pobre nos bairros da china onde só comia arroz e cachorro, e isto quando tinha um vira-lata passando,  até o momento que foi recrutado pela Organização do Mal, passando pelo um árduo treinamento e processo seletivo para finalmente poder ter uma vida um pouco melhor para si e para sua família de mulher e cinco filhos - daí não teríamos tanto prazer em ver o herói matando ele com um tiro ou com uma voadora mortal.

Vejo algo semelhante acontecendo nas grandes cidades. Estamos perdendo a sensibilidade, numa vida que reproduz os filmes de ação customizados e aventuras de videogame. O dinheiro mesmo parece um sistema de pontuação que ganhamos e gastamos numa velocidade frenética. E os obstáculos são as outras pessoas que buzinam para gente, nos multam, não querem nos dar desconto ou simplesmente não nos atendem bem num bar ou no supermercado. Caso você seja empresário, esta sensação se amplia consideravelmente, já que é experienciada em todo o seu dia-a-dia na empresa. Todos os funcionários são números, pontos, e se um ou outro não atinge um determinado patamar, você vai lá e pum. Já era. Esquece, e quem é empresário mesmo é bom nisto, que o sujeito tem família, filhos, contas para pagar, pai doente ou qualquer coisa parecida. É o jogo da vida.

Portanto naquele exato instante em que você surtar, gritando com um funcionário de um banco, com a pessoa que te fechou no trânsito, ou com qualquer um destes ninjas do mal que atrapalham o nosso cotidiano, lembre-se:  eles também tem história para contar.


Crônica do desempregado formado

Posted by Cabelo on March 6th, 2010 filed in Crônica do Cabelo
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Há treze anos estive em um lugar como esse: jardim, árvores, álbuns bancos ao largo para se sentar, pedras, e prédios baixos espaçados e espalhados. Naquele tempo tudo não passava de brincadeira! Tudo era futuro e possibilidade. Meu ânimo e disposição me impediam de ter medo. Era só coragem. Um pouco de indolência própria da idade.

O amigo que estava comigo naquela tarde já há anos não vejo. Se é amigo, não sei. Naquele tempo não diria que não. E como ele tantos outros ficaram para trás com seus apelidos engraçados, indigestos ou incompreensíveis; e tantas histórias e estórias estão lá atrás também guardadas. As lembranças como sempre viajam na velocidade da luz, mais rápido do que posso revivê-las. Elas se somam, se acumulam, alegram e entristecem na mesma proporção. A memória é uma caixa preta - acho que já escrevi isso?

Alguns anos depois estive naquele lugar novamente e também revivi muitas coisas. É normal, eu acho. Não faço isso para sofrer. Nem é só sofrimento, embora seja um momento taciturno, ainda que o sol brilhe e queime minha cabeça sob o céu azul tal qual hoje. Não nego minha forte tendência à nostalgia. Mas quem não gosta de lembrar as coisas boas do passado? Por que tantas coisas boas no passado? Por que o presente…

Lembro que da segunda vez já não era tão corajoso, tão disposto; poucas possibilidades para o futuro. Nenhuma arrogância, e ainda era jovem. A vida acontece rápido, estando nós preparados ou não. Hoje apenas por estar em um lugar semelhante àquele, similar mas não o mesmo, já é suficiente para recordar com pesar que já se faz tantos anos. Aquele eu que eu fui ainda é, mas lá atrás, nas lembranças.

O muito cansaço daquela segunda visita não foi embora, mas tem outra causa. Há quem fique feliz, carrego duas graduações. Por muito tempo minha rotina era: trabalho, estudos, cansaço, não necessariamente nesta ordem e tudo ao mesmo tempo. Foram longos anos. Mas, e a vida? O cansaço como já disse ainda persiste e o sinto cada vez por menos. Dos estudos me sonhar com um mestrado. E claro, minhas leituras: não passo sem estar a ler ao menos um livro. Sempre tenho um a tira-colo para momentos de espera, no ônibus, no METRO, na sala de espera…

Já o trabalho… Como me faz falta. Sempre reclamei em todos os lugares em que trabalhei - quem não o fez? - mas nunca neguei fogo, até em empregos de que não gostei dei meu sangue. O desemprego me assola. Devo admitir: poderia trabalhar - não faltam empregos - basta que eu jogue no lixo os dez anos das duas graduações. Para ser operário, ou operador de telemarketing sobram vagas.

Por onde anda minha vida? Aquela que eu imaginei até poucos anos atrás. Aquela que vislumbrei sentado no banco daquele lugar que parece esse aqui. Não sei o que fazer. Pela primeira vez na vida não sei no que me apoiar, me fixar para seguir em frente. Vou sair desse lugar agora! Mas esse nem é o lugar… Os problemas estão cá dentro. Vão comigo para onde eu for. Ao menos hoje sei que tenho um amor, meu refúgio, meu norte às vezes inalcançável.

Seria eu um fracassado? Não sei. Por que não? Ainda espero muitos anos. Mas vai que… ainda há esperança.

Paulo Roberto Cabelo


Dia do Cinéfilo - Quem Quer Ser um Milionário

Posted by bogadolins on March 5th, 2010 filed in Dia do Cinéfilo
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As vezes parece que estamos no Brasil, já outras, de repente, tudo se torna exótico e longínquo. Mas está tudo ali: a pobreza, o crime, a malandragem e toda a pilantragem que costuma ser fomentado pela miséria. Ao mesmo tempo o filme consegue ser bonito e singelo, sem mostrar os estereótipos do que é a sociedade hindu. Aliás é representativo que o personagem principal seja um muçulmano hindu, é um outsider total.

O andamento do filme é todo feito a partir das perguntas feitas num programa de perguntas estilo Silvio Santos, onde o apresentador sempre rouba  a cena do apresentado. Aliás, em determinado momento, há um embate entre ambos, resolvido no final.

É enfim, uma agradável surpresa, e que se utiliza bem dos clichês, a ponto de você só pensar neles depois do filme. O oscar aí foi mais que merecido.