Papo de Butequim - Casamento + Política, por Cristovam Buarque
Posted by Cabelo on July 28th, 2010 filed in Papo de ButequimComment now »
“Ser candidato é como noivo, eleito como casado, não cumprir compromissos é como ser infiel, publicamente.”
Dia do Cinéfilo - As leituras de MacBeth - II
Posted by Cabelo on July 27th, 2010 filed in Dia do Cinéfilo1 Comment »
Na película de Akira Kurosawa, “Trono Manchado de Sangue” (Kumonosu-jo) de 1957, há uma encantadora e nada sutil exploracao visual das tradições guerreiras do mito japonês, visto que o diretor remonta ao Japão do século XVI, época de guerras civis. Talvez seja uma das melhores adaptações de Shakespeare ao cinema. Embora o drama seja apresentado com economia e as palavras subordinadas à lenta exposição do enredo, a violência, a morte e o sobrenatural aparecem de forma marcante. O costume japonês de respeito e disciplina tem seu contraponto na obra de Kurosawa.
Akira Kurosawa
É visível a vontade do diretor de demonstrar o aspecto da recorrente traição na história japonesa. Para tanto, MacBeth apresentou-se como um ótimo catalisador das idéias de Kurosawa por tratar profundamente do tema da traição. As bruxas da história original são substituídas pelo “espírito satânico”, o qual faz as previsões. Como os guerreiros Washizu e Miki desdenham da bruxa, esta conclui “o ser humano é estranho, sente receio de vero fundo do próprio coração”. Uma clara sugestão de que a idéia de traição é inerente ao ser humano.
No enredo, Asaji (Lady MacBeth) justifica a incitação para Washizu (MacBeth) trair o shogum (Rei ou Senhor do Castelo), dizendo que o shogum anterior matou o seu mestre para tomar o poder. Washizu, segundo sua esposa, deveria fazer o mesmo. Assim, começa a trágica e sangrenta luta pelo poder confirmando o original de Shakespeare. Ao final, a traição se faz presente mais uma vez, visto que são os próprios soldados do Washizu, então shogum do castelo, que o matam.
Veja aqui trailer da versão americana de “Trono manchado de sangue”.
Dia do Internauta - e cinéfilo patriota!
Posted by Cabelo on July 26th, 2010 filed in Dia do Cinéfilo, Dia do Internauta1 Comment »
Para quem gosta do cinema nacional, ou mesmo quem deseja fazer pesquisas e pretende assistir às produções cinematográficas tupiniquins de toda a sua história, pode encontrar boa parte do que foi mantido em formato digital para baixar no blog Acervo Nacional.
Além do próprio filme, o blog apresenta sinopse e algumas informações sobre elenco, direção, produção e capa dos filmes em versão VHS ou DVD. Lá se encontra desde produções “do arco da velha” até as mais recentes produções brasileiras.
Fica aí a dica para os cinéfilos internéticos nacionais!
Boa pipoca!
Crônica do Bogado - Itaquera
Posted by bogadolins on July 25th, 2010 filed in Uncategorized1 Comment »
Este talvez seja o último final de semana que eu tenha ido para Itaquera, esta bairro lá pelo início do final da zona leste. Fica na última estação do metrô da linha vermelha. Na verdade vou ainda mais longe, num conjunto habitacional que povoa o bairro e vai até Cidade Tiradentes. Chama-se José Bonifácio.
Lá, por incrível que pareça, talvez seja uma das regiões mais arborizadas de São Paulo. E, se as construções, prédios e casas fossem espaçosas e bonitas, seria um bairro de gente rica. Chegam a contrastar os prédios que pouco a pouco vão se diferenciando para ganhar identidade. Cada um deles possui uma coisa para se orgulhar: uma quadra, um jardim, ou qualquer outra coisa que o valha. As cores e os muros também se destacam, concedem sentido a estas diferenças. No fundo ficam as chácaras dos japoneses que mantêm pessegueiros e árvores diversas.
Gosto de escolher um boteco mais bem aprumado, tomar um sol e beber uma cerveja com minha cunhada. Hábito que em breve não será mais possível, já que está de mudança para sua cidade lá no norte de Minas. Lá não preciso me preocupar com nada. Tudo é muito mais simples. Não há nada a provar para ninguém. Uma das descobertas que fiz neste local é uma lanchonete de um paraense, o Seu Hamilton. Não há nada melhor que comer um revigorante caldo de mocotó e provar algumas das especialidades da cozinha do norte, do norte mesmo no caso. Lá a cerveja tem que ficar para depois do por do sol, já que não abre antes das 17h.
Meu filho também gosta destas idas ao fabuloso mundo de Itaquera. Lá tem espaço para correr e um monte de crianças para brincar e as brincadeiras são mais simples. As pessoas soltam pipa, jogam bola e brincam dos piques tudo que existem no vocabulário infantil. Tem espaço para isto.
As profissões das pessoas são das mais diversas. Pequenos empresários, motoristas, advogados, funcionários públicos dos mais diversos, serventes, porteiros, comerciários e um leque de formas de se ganhar a vida que não está catalogado. Possuem telas de plasmas, carros novos, computadores e videogames da última geração. Eu mesmo fico fascinado com estas novidades que ainda não chegaram na minha casa. Ás vezes perco minhas tardes com algum joguinho de videogame que acabei de conhecer.
Agora, parece, que acabará Itaquera, já que a minha cunhada é a última pessoa próxima que mora no local na família de minha mulher. Agora, Itaquera vai ficar bem mais longe, mais até do que o Norte de Minas. Talvez ainda vá lá uma última vez.
Pouco a pouco não mais
Posted by Cabelo on July 24th, 2010 filed in poesia do cabelo2 Comments »
Pouco a pouco você irá ao longe
Pouco a pouco estará onde?
Pouco a pouco você mais distante
Pouco a pouco nada como antes
Pouco a pouco deixa de ser
Pouco a pouco a afeição perecer
Pouco a pouco nada satisfaz
Pouco a pouco o que foi desfaz
Pouco a pouco não há dilema
Pouco a pouco isso não é problema
Pouco a pouco crescem os segredos
Pouco a pouco se torna degredo
Pouco a pouco aparecem os sinais
Pouco a pouco não se fala mais
Pouco a pouco serão menos chances
Pouco a pouco além do alcance
Pouco a pouco não há destempero
Pouco a pouco finda o desespero
Pouco a pouco se perde o contato
Pouco a pouco nós, não é mais fato
Pouco a pouco é demais
Pouco a pouco não mais
Paulo “Cabelo” Laubé
Literatura Futebolística - 108 anos de Fluminense
Posted by bogadolins on July 22nd, 2010 filed in Uncategorized1 Comment »
Vos Digo que o melhor time é o Fluminense. E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos.
O Fluminense é o único time tricolor do mundo. O resto são times de três cores.
Grandes são os outros, o Fluminense é enorme
Nelson Rodrigues, Torcedor Dramaturgo
Dia do Cinéfilo - As leituras de MacBeth - I
Posted by Cabelo on July 20th, 2010 filed in Dia do Cinéfilo1 Comment »
Existem mais possibilidades entre Shakespeare e a sétima arte do que mostra a sua vã filmografia! São poucas as dramaturgias que se mostram tão modernas e eternas, porém nenhum outro autor teve seu nome tão mundialmente difundido entre pessoas que não constituem um público de teatro. Parte deste fenômeno deve-se ao fato de que o cinema leva às telas paixões e conflitos universais sob a ótica de quem transformou esta matéria-prima em texto.
Começo hoje tratando brevemente sobre um de três filmes de diferentes diretores e, por conseguinte, distintas visões, baseados na obra MacBeth de William Shakespeare - obra esta que apresentei aqui na semana passada. São eles: “MacBeth - reinado de sangue” de Orson Welles, “MacBeth” de Roman Polanski, e a visão japonesa de Akira Kurosawa em “Trono Manchado de Sangue”.
No filme de Orson Welles, de 1948, a valorização dos personagens é causada pela ausência de estímulos do cenário - até porque o filme foi feito em estúdio -, além da falta de referências exteriores ao conteúdo humano das ações, fato que destaca a humanidade das cenas representadas. Seria quase um filme expressionista. Os enquadramentos sempre de ângulos incomuns, aliado a sombras mimetizam o inferno espiritual de MacBeth, que é encenado pelo próprio Orson Welles.
Orson Welles como MacBeth
Há também uma espécie de determinismo as avessas, isto é, parece que Welles desejou mostrar que independente do ambiente em que esteja, o ser humano age da mesma maneira - o que se verá nas outras representações cinematográficas. Aqui temos a ambição, a traição, a violência, o poder e a morte como traços da psique humana.
Veja aqui um trailer do filme.
Mora na Filosofia - Ação x Desejo, por Flaubert
Posted by Cabelo on July 19th, 2010 filed in Mora na Filosofia1 Comment »
“A ação, para certos homens, é tanto mais impraticável quanto mais forte é o desejo. A desconfiança atemoriza-os;de resto, as afeições mais profundas assemelham-se às mulheres honestas; têm medo de ser descobertas, e passam na vida de olhos baixos.”
Gustave Flaubert, in A EDUCAÇÃO SENTIMENTAL
Crônica do Bogado - Primeira Vida
Posted by bogadolins on July 18th, 2010 filed in Crônica do Bogado3 Comments »
Ele estava ali, no caminho entre sua casa e o hospital em direção àquela que seria sua nova vida. Ela já tinha endereço, destino, uma meta e, no entanto, ainda não havia nascido. É certo que seria diferente, de uma forma ou de outra, daquela que ele tinha. Mas isto era apenas um detalhe.
Tinha feito o exame de HIV fazia uma semana e, pelo que o médico falou, provavelmente já havia saído o resultado. Após tantos erros, poderia dar positivo e a morte se aproximaria um pouco mais dele. Trataria de ir dançando até ela, pois sabia que a morte é mulher e, como todas elas, aprecia os bons dançarinos. Para eles concede algum gozo e dor nos momentos finais. Trataria, então, de conhecer o mundo e certas sensações que nunca se permitiria caso contrário.
Provavelmente iria para países europeus e se afogaria em sensações nunca dantes experimentadas. Faria isto e muito mais, já que não teria mais as pequenas grandes preocupações de uma vida que se pretende longa. Poderia também dar negativo e aí tudo recomeçaria. Ele teria um bom motivo para cuidar-se e precaver-se da morte. Passaria a gostar até daqueles momentos desconfortáveis do dia a dia: jantares de família, reclamações da ex-mulher, gritos do patrão, fatigantes horas no serviço. Amaria isto tudo, e muito mais.
Chegou na recepção e fez a pergunta arquitetada para a recepcionista. Em seguida, percorreu-lhe um espasmo frio pela esquina. Caía-lhe na roupa o suor enquanto tentava demonstrar uma segurança que não possuia. Algumas estatísticas confusas pertubavam-lhe o juízo. De fato, o medo experimentado, na realidade, provinha única e exclusivamente da ansiedade, já que havia se conformado muito bem com a vida escolhida para cada uma das novas vidas possíveis.
A atendente finalmente deu-lhe o exame. Ele ficou ali encarando a pasta com a sua ficha médica. Ela também o encarava como um bebe, com os olhos que ultrapassam os fatos em si. Abriu o envelope com os olhos fechados, puxou o papel com um gesto quase ritualístico e se deparou com o resultado. A sua nova vida começava ali, como havia previsto anteriormente e uma lágrima percorreu-lhe o rosto.
Sentiu uma súbita felicidade e iluminação, uma epifania. A lágrima continuou escorrendo, agora por entre seus dedos. Olhou ao redor e cada cor estava mais viva. Cada vida era um mundo inteiro. Agora compreendia e o próprio agora, antes sempre o mesmo, havia mudado. A lágrima estava ainda ali, no seu corpo, como sua vida, mas em breve iria se estatelar no chão. Aquela seria sua primeira dança e, de fato, sua primeira vida.
Então a lágrima caiu na ficha médica, e a molhou.
Natal: a Cidade do Sol, dos Ventos, Maravilhosa!
Posted by Cabelo on July 17th, 2010 filed in Uncategorized1 Comment »
Cidade do Sol é como é conhecida Natal - mas bem que poderia ser chamada de Cidade Maravilhosa! (Pra deixar os cariocas fulos de raiva!) Só para se ter uma idéia, às 5h30m da manhã o Sol já está grande no céu e brinda seus raios pra valer - de tal modo é difícil não acordar cedo! - o que não é muito coisa de carioca! ( O Bogado vai me xingar!)
Ou ainda, poderia ser chamada de Cidade do Vento, é uma coisa de louco; não pára de ventar um minuto - é bom porque alivia a sensação de calor do sol, mas meninas!, não dá para manter os cabelos alinhados! Ainda bem que cortei meu cabelo - esse texto está meio feminino demais! Bora!
E é verdade, a capital do Rio Grande do Norte exibe muitas belezas naturais!
FOTO PRAIA DE PONTA NEGRA AO AMANHECER
Aliada a uma forte veia turística - principal atividade econômica - depara-se com um povo hospitaleiro e amistoso. Por outro lado, vários resorts, pousadas e hotéis pertencem aos “turistas”. Dinamarqueses e portugueses são os habitués da capital e alguns investem de fato nesse filão. Muitos também alugam suas residências e apartamentos durante o ano e aproveitam as delícias do verão na Cidade do Sol.
FOTO DA CIDADE VISTA DAS DUNAS
Como bom paulistano, não poderia deixar de falar do gostoso sotaque dos potiguares - afinal, só paulistano não tem sotaque! - que não tem muito da chiadeira carioca, nem muito dos erres puxados dos caipiras, e para falar a verdade, não soa nem um pouco afetado!
Para melhorar, Natal é das capitais brasileiras com menor índice de violência e segundo os próprios natalenses “quase não se vê assalto!” Dá para circular durante o dia ou a noite sem medos ou ameaças. No máximo um ou outro mendigo na praia de Ponta Negra - talvez por ser o verdadeiro point dos que vivem em Natal (sobretudo aos domingos) e por concentrar vários hotéis e pousadas.
E por falar em Ponta Negra, a orla da praia é recheada por hotéis, pousadas e comércio local. Tem um calçadão - nem tão “ão” assim - muito agradável para os passeios, ou caminhadas e corridas de exercício, e para as paqueras à noite. A areia e o mar são limpos e à direita vê-se um dos belos cartões postais da cidade: o Morro do Careca.
FOTO MORRODO CARECA
Segundo consta, o morro tem esse nome devido à extensa faixa de areia que cobre parte do monte da praia ao cume, na verdade é uma grande duna. Atualmente ele não pode ser “escalado” nem é permitido descer de “skibunda”, pois como as areias são móveis isso já fez com que o morro diminuísse alguns metros de altura.
À esquerda de Ponta Negra, indo em direção ao centro de Natal, descobre-se uma vasta área cercada, que corresponde a uma das maiores reservas de mata atlântica do Brasil. É o Parque Estadual das Dunas de Natal Jornalista Luiz Maria Alves ou, como é conhecido, Parque das Dunas, que possui horários e trechos abertos para visitação como: o bosque do Namorados, trilha da perobinha e centro de convenções.
FOTO SATÉLITE PARQUE DAS DUNAS
Continuando em direção ao centro de Natal, chega-se à Praia dos Artistas, a cinco minutos do centro. Também badalada perdeu seu posto para Ponta Negra nas últimas duas décadas. É uma ótima praia para surfista com suas altas ondas, além da vista para a Fortaleza dos Reis Magos. Diz-se que o nome vem pela praia ser antigamente reduto de artistas das mais diversas artes que até acampavam no local.
FOTO PRAIA DOS ARTISTAS
No centro de Natal é onde se admira a cidade com mais cara urbana, ainda que sem muitos prédios - claro, para alguém cuja referência seja são Paulo e Rio de Janeiro. Há muito o que rodar e conhecer nos recantos do centro histórico, algo que ficaremos devendo aqui. Mas se pode indicar um centro comercial de turismo onde se encontra todos os tipos de artigos locais para levar de lembrança onde já funcionou o presídio nos tempos do império.
Ao norte do centro encontramos o Rio Potengi (do tupi: Rio Grande), que deságua em uma larga foz no Oceano Atlântico. Na boca do rio, afastado alguns metros da praia desponta um imponente construção com altas muralhas: a Fortaleza dos Reis Magos, ourtro cartão postal de Natal. Datada de 1599 ainda no período colonial brasileiro, o forte segue a arquitetura seiscentista com uma planta em forma de polígono, erguido em taipas, era equipado com boa artilharia, abrigou até 200 homens e contava com prisão e uma capela. Foi erguido com o intuito de combater o tráfico de pau-brasil pelos franceses.
Fotos DO FORTE REIS MAGOS
Sobre o Rio Potengi, ligando o centro de Natal ao norte, região das dunas, existe uma das mais recentes atrações da cidade: a Ponte Newton Navarro. A ponte é muito importante para os moradores porque diminuiu bastante o tempo gasto para atravessar o rio, antes feito por balsa ou por outra ponte mais distante do centro.
FOTOS PONTE NEWTON NAVARRO
E não pense que é só isso, ainda há muito mais nos arredores de Natal. Mas isso fica para a próxima!
Paulo “Cabelo” Laubé




















