Ruas que falam | SustentaHabilidade

Posted by carlaruas on January 25th, 2012 filed in Ruas que Falam
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Tá na moda. Todo mundo fala, todo mundo quer ser sustentável. E, para todos, o tema está intimamente ligado aos símbolos verdes, com a palavra “ECO”, a plantar arvores, a reciclar, a reinventar a utilização de produtos e materiais. Ok, isso está certo.

Mas hoje vamos além disso, vamos romper esta fronteira onde a sustentabilidade acaba, quando ela só deveria estar começando. Desmembrando o significado, sustentabilidade é a forma de lidar com o uso dos recursos naturais para a satisfação de necessidades presentes, sem comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras. Pensar nos filhos, netos, bisnetos e assim por diante.

Mas se esquece de expor até onde a temática poderia ser explorada, na questão primária, básica para que se consolide realmente a sustentabilidade em um país. Não basta plantar árvores, quando a semente de cada um não está regada em princípios maiores. Para a sustentabilidade acontecer, a questão social é ponto-chave: em primeiro lugar é preciso respeitar o ser humano, para que este possa respeitar a natureza. O homem é a parte mais importante do meio ambiente.

Nossas interações são reflexo de nossas atitudes e comportamentos, nossas relações são base viral daquilo que acreditamos. E aí entra o papel de tudo e de todos que se baseiam nas relações humanas, principalmente empresas com pessoas. Tudo envolve relacionar-se.

Uma geração futura precisa muito mais do que viver em um mundo mais “ECO”, cheio de árvores, sacolas sustentáveis e de produtos recicláveis.  Nossos filhos precisam encontrar pessoas felizes, satisfeitas, colaborativas e enérgicas para construção de atitudes e comportamentos menos individualistas. Afinal, não adianta encontrarem seres humanos, base de todo o conceito, insatisfeitos e incapazes de entender o potencial de pequenas ações e gestos, ignorando o fator principal das relações sustentáveis: aprimorar o sentimento humano, parte responsável com seu próximo, construindo relações consolidadas e capazes de disseminar, durante tempo indeterminado, ações que levam felicidade e plena satisfação com nossa existência, caracterizando nossas diferenças, não como melhores que os seres irracionais, mas como parte principal influenciadora das relações, a fim de mostrar que agregamos atitudes positivas conscientes e, assim, nos tornamos capazes de respeitar os demais componentes harmônicos do planeta (fauna e flora). Pois nós encontramos a nossa harmonia. A natureza é sábia e assim deveríamos ser.

Uma empresa com a bandeira de sustentabilidade, sem pensar no bem estar e na força das relações dos seus colaboradores, fornecedores e demais redes de relacionamento, não é uma empresa sustentável.

Passamos hoje, a maior parte de nossos dias no trabalho, dedicados a erguer a bandeira de uma empresa repleta de conceitos próprios dos seus fundadores, crenças que não partiram de nós e que incorporamos como nossa. E quando não se acredita nesta crença, o trabalho vira mesmo um grande pesar ou uma grande máquina de garantir meu dinheiro. Porque somos feitos disso e precisamos demonstrar e compartilhar aquilo que acreditamos. Para que a empresa consiga engajar sua rede, precisa acreditar mais do que nos seus preceitos, mas acreditar também no potencial de cada pessoa que compõe a sua estrutura, valorizando sua plena satisfação não só com a empresa, mas consigo mesmo e com o próximo. “Quero você feliz aqui para eu ganhar mais dinheiro”, definitivamente não. “Quero estabelecer uma relação harmoniosa entre os envolvidos com a minha empresa, a fim de disseminar a cultura da sustentabilidade, agregando grande potencial à questão social da temática. Relações mais felizes e plenas, para garantir que o papel desta organização está além dos lucros, é também comprometimento com o futuro do planeta e de nossas relações, sendo mais duradouras.”

As pessoas sabem encontrar o sentido genuíno de cada uma e isso é fácil de ver, conversando com qualquer funcionário de qualquer empresa. Você, com certeza, escuta no seu dia-a-dia pessoas disseminando negativamente a cultura do trabalho e o quão penoso é, em diferentes aspectos. Este é um fator tão importante e tão forte, que se as empresas soubessem o quão é ruim para suas relações é a viralização de suas incoerências, certamente dariam mais atenção a isso.

Isso não é romantismo, texto idealista e pouco prático. Quem já teve a experiência (acredito que a maioria de nós) de sentir na pele como um pequeno gesto de solidariedade faz a diferença, sabe do que estou falando. Esta semana mesmo, perdi a rosquinha do meu brinco no ônibus, desci do ônibus pensando no que poderia fazer para usar meus brincos. Até que uma menina veio atrás de mim, tirou a rosquinha de seu brinco e me deu. Eu perguntei “mas e você?” e ela respondeu “ah, não tem problema, meu brinco é pequeno, o seu é lindo”. Isso mexeu profundamente com meu dia, tenho uma vontade imensa de reencontrar esta menina e, depois deste ocorrido, a vontade de ajudar alguém, de marcar o dia de uma pessoa como ela marcou o meu, aumentou em 100%. Olhava para todos, pensando no que poderia ser útil. E assim foi. Nada é tão capaz de viralizar do que atitudes extremamente positivas e, pasmem, pequenas.

A sustentabilidade é a habilidade de reconhecer este imenso poder das relações solidárias e compartilhadas. É habilitar-se a formar guardiões do bem estar, por acreditar no conceito mais genuíno da sustentabilidade. Tornar-se hábil a sustentar um conceito e transformá-lo em prática e levá-lo para as gerações futuras.

Obs: Desejo um Feliz Aniversário aos 458 anos de São Paulo. E que ela possa fazer mais pela sustentabilidade, do que tirar sacolas plásticas dos mercados.


Um dia em 1994 em que o Brasil Chorou

Posted by vitormendes on January 24th, 2012 filed in Algumas Palavras
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21 de Janeiro de 2012.  Ouvindo Rock in Roll descendo para praia, caminho para Ubatuba, o trajeto é lindo, imagine!

… bom, o que me levou a escrever este texto foi uma mistura de tudo. Saber como o Brasil é lindo e como os brasileiros podem ser mais. Isso se deu enquanto eu ouvia meu som, o rádio foi interrompido e entrou justamente a música do Roberto Carlos as curvas de Santos. Ficamos rindo e cantando juntos, logo colocamos um CD de Groove Soul e entramos no clima, mas, eu não resisti a uma emoção engraçada, uma mistura como já disse, de que tem coisas que você só vai ver no Brasil e no brasileiro. Isso foi ficando mais claro a cada curva. Então como um relâmpago e som de um motor forte, minha mente buscou com saudades as emocionantes lembranças de 1984 a 1994.  Foram 10 anos assistindo Ayrton Senna do Brasil!
Ayrton Senna em que todas as corridas levantava a bandeira do Brasil. Parece algo simples, não é verdade? Me diga quem de 1988 a 1994 tinha orgulho de ser brasileiro e levantar a bandeira?

Aliás, quem é que faz isso hoje, por puro orgulho de ser brasileiro?

Politicamente e tecnologicamente não tínhamos do que nos orgulhar, mas, um brasileiro que era apaixonado por esporte e pelo Brasil, fazia com que o Brasil vibrasse com ele, como se nós mesmos estivéssemos dentro do carro.

Já não era só mais uma torcida, pois sabíamos que ele ganharia, mas queríamos mesmo é ver o extraordinário, ver o caráter raçudo e vencedor e, no final, junto com a vitória a bandeira do Brasil.

Muitas músicas lembravam o brasileiro Ayrton Senna mas tem uma que é célebre!

Até que então o Ayrton Senna decidiu sair das pistas e fazer mais e mais com o instituto Ayrton Senna.

O coração de um brasileiro para brasileiros, um pouquinho de Senna na vida das pessoas.

Engraçado que minha mente crítica… pensou… que não vemos a mídia colocando ele como o herói dos brasileiros.

Não vemos, por aí, como vemos em outros esportes nos dias de hoje. Talvez eu possa estar errado mas nos dias de hoje não vemos pessoas com o coração e caráter para fazer as mesmas coisas que Senna.

Quem não aprendeu com ele?

Ele descobriu que o melhor caminho é o mais difícil e talvez perigoso, ninguém gostava de dirigir na chuva, ele decidiu ser o melhor na chuva!

Ele decidiu ter caráter e coração em cada corrida. Não se vendia e nem desistia! Lutou pela categoria, lutou pelo esporte, lutou pelas pessoas.

Milhões de pessoas vibravam quando, na chuva, ele deslizava pela pista fazendo incríveis ultrapassagens. Já não eram só brasileiros, mas o mundo inteiro torcia por ele!

No meu silêncio no carro, descendo para praia eu comecei… pensar e tentar sentir o que poderia passar no coração do Senna. Porque eu gosto tanto do Brasil, pela sua beleza, sua natureza e ainda que tenha demorado quase 4 horas para chegar em Ubatuba, tudo foi muito bom, cada detalhe de todo o caminho.

Ao aproveitar a praia e os meus passeios no meio da mata atlântica eu estava atento em não machucar a natureza e caso achasse qualquer sujeira eu recolheria e colocaria no devido lixo! Bobeira de detalhe não é verdade?

Quantas vezes de 1984 à 1994 vimos o Senna se vender?

Sua verdade e seu caráter eram um só. Demonstrado fora e dentro deste esporte. Falo assim porque precisamos deixar de lado esta fantasia que vestimos e começar a rasgar os panos que escondem os ratos.

Temos que limpar as pistas antes de pisar, temos que valorizar nossa bandeira, na verdade precisamos ter uma!

Numa estrada, numa pista, o que te guia na chuva além de seu talento são as placas de sinalização que são referência do que deve fazer e como deve fazer!

Te pergunto, hoje, 2012, quem são referências?

Qual brasileiro que através do esporte consegue verdadeiramente ser um homem ou uma mulher que ama o Brasil, e poder servir como referência para todas as idades e gerações?

Esta em tempo de construirmos isso!

Em qualquer lugar que você for, pense duas ou dez vezes e faça o que talvez para você é o mais difícil. Possa até ser uma humilhação, não importa, a sua vitória vem por outra vertente e talvez não seja neste mês, mas vem!
A história que você “desenha” é eterna na pintura neoclássica nas mentes daqueles que amam o sentimento nobre ser somente dentro de um todo…

… ser humano apaixonado por ser humano!

1994 - Choramos, não com a dor do impacto do carro sendo chocado na curva, não foi apenas pela morte. Choramos porque uma boa parte de nós morreu junto. O impacto do orgulho de ser brasileiro, de ser limpo e jogar pela vitória simplesmente porque é apaixonado pela vida! Isso sim é dor.

Na Volta para casa, agradeci a minha saudosa lembrança de ter trazido do baú essa pessoa que passei a admirar mais e mais!

*  “Não importa o que você seja, quem você seja, ou o que deseja na vida, a ousadia em ser diferente reflete na sua personalidade, no seu caráter, naquilo que você é. E é assim que as pessoas lembrarão de você um dia. - A verdade é que todo mundo vai te machucar, você só tem que escolher por quem vale a pena sofrer.
By: Ayrton Senna

** Um pouquinho mais de “Algumas Palavras”: Ayrton Senna da Silva (São Paulo, 21 de março de 1960Bolonha, 1 de maio de 1994) foi um piloto brasileiro de Fórmula 1, três vezes campeão mundial, nos anos de 1988, 1990 e 1991. Foi também vice-campeão no controverso campeonato de 1989 e em 1993. Morreu em acidente no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, durante o Grande Prêmio de San Marino de 1994. É considerado um dos maiores nomes do esporte brasileiro e um dos maiores pilotos da história do automobilismo

Seu bom desempenho em categorias anteriores o levou a estrear na Fórmula 1 no Grande Prêmio do Brasil de 1984 pela equipe Toleman-Hart. Em sua primeira temporada na categoria, Senna rapidamente teve resultados, levando a pequena equipe inglesa a obter performances jamais alcançadas.

Em dezembro de 2009 a revista inglesa Autosport publicou uma matéria onde fez uma eleição para a escolha do melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos. A revista consultou 217 pilotos que passaram pela categoria, e Ayrton Senna venceu tal votação.

*** Nossas lágrimas ficaram lá, no passado e na saudade gostosa e que faz nos lembrar que como um vento e ronco de motor pode se levantar um outro esportista brasileiro como Senna!

Essas foram “Algumas Palavras” que as encontrei… não comigo, mas no coração de brasileiro chamado Ayrton Senna, em sua mão esquerda a bandeira do Brasil

“Algumas Palavras”  por Vitor Mendes


Dia do Ouvinte - Featuring Norah Jones

Posted by Cabelo on January 23rd, 2012 filed in dia do ouvinte
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Em 2010, a pianista e cantora Norah Jones brindou seu público com uma bela coletânea de encontros, duetos e parcerias ao longo de sua curta e premiada carreira: Featuring Norah Jones. No álbum temos a senhorita Norah em parcerias inusitadas com os caras do Foo Fighters na segunda faixa “Virginia Moon”, ou com Q-Tip, cantor ligado ao hip-hop, na canção “Life is better”, mas também com Willie Nelson, Ryan Adams, Belle and Sebastian, e até com Ray Charles numa ótima versão de “Here we go again”, entre outros.

Aqui uma entrevista que mostra como foi o contato com David Grow e o Foo Fighters:

A compilação de encontros é tão variada, demonstrando as multifacetas da graçinha Norah Jones que chega a ser, no geral, um álbum pop, em que nem sempre se ouvirá a voz suave e macia da cantora.

Boa música!


Um carioca em terras paulistanas

Posted by Cabelo on January 21st, 2012 filed in Crônica do Cabelo
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Que os cariocas são folgados e se acham a última azeitona da empada, não há dúvidas, sobretudo para os paulistanos! Agora, afirmar que a cidade do Rio de Janeiro não é tão bela ou que a Sampa é mais bonita é difícil, sem dizer que contraria quase que todo o planeta! Podemos dizer que: se eles têm praias lindas, nós somos a maior cidade e somos a locomotiva do país, se eles têm pretensiosamente o melhor carnaval, nós temos muitos mais teatros e centros culturais, se eles têm Noel, nós, Adoniran…

Mas, no fundo, no fundo, isso tudo são bobagens e regionalismos baratos que são alimentados por algumas ações da imprensa quando querem alavancar polêmicas para aumentar a audiência. Por outro lado, tal qual as rivalidades futebolísticas, vão tornando as diferenças e concorrências entre as cidades cada vez mais acirradas e competitivas. Fato que perpetua a polêmica e mantém ou gera picuinhas que podem ser usadas como notícias.

É, o jornalismo não é a melhor e mais pura das profissões…

Entretanto, embora não tenhamos as mesmas praias aqui na “Locomotiva” por enquanto - vai saber o que o aquecimento global fará no futuro?!? - um carioca da gema ou seja lá de onde for com todos os traços e “qualidades”, torcedor do fluminense, veio construir a vida e se estabelecer aqui na terra da garoa - claro, não pela garoa, mas pelo trabalho visto que aqui sim é a terra do trabalho!

E foi justamente num trabalho para o qual nem eu nem ele fomos feitos, mesmo que tenhamos nos saído relativamente bem, ou digamos, para o qual nenhum de nós estudou ou almejou, que acabamos por nos esbarrar. Ele e seu sotaque, afinal paulistanos não têm sotaque!, eu e meu individualismo. Sim, demorou para nos aproximarmos e quebrarmos as barreiras daquelas rivalidades já enunciadas acima, mas como tudo isso são bobagens, o que nos afastava mesmo eram as diferentes seções em que cada um trabalhava.

De todo modo acabamos por nos encontrar na seção de literatura e nos darmos bem, mais que isso, descobrimos por força do trabalho e do destino, ou por pura coincidência, que ambos não só apreciávamos literatura como também a produzíamos, isto é, tínhamos lá os nossos gostos por transferir idéias para o papel e esperar que algum dia isso fosse chamado de literatura.

Mas, é lógico, não era apenas esse o traço comum, apreciávamos os debates e questões sociais, os problemas do bairro, da cidade, do Brasil e do mundo, da política, da economia e também da poesia, de preferência com algumas garrafas de cerveja à mesa! Aliás mais uma coincidência, ambos moradores do mesmo bairro paulistano sem se saberem! Um carioca cientista social e um paulistano jornalista, daria um bom caldo!?

Assim, na seção de literatura nos aproximamos, nos saraus nossas poéticas se comunicaram, e foi no meio de coincidências e do dia a dia que a nossa literatura cotidiana foi sendo gerida, nasceu, e nos tornamos blogueiros parceiros!

E se fico devendo em uma maior amizade talvez pela minha paulistanidade, meu sotaque, ao menos no quotidiano virtual da nossa Literatura Cotidiana mantemos a parceria e afinidade, que já lhe rendeu até uma publicação de livro, e tento compensar também com a admiração que tenho por sua coragem em abandonar a Cidade Maravilhosa, seus familiares e chegados para descobrir os “encantos mil” desta terra de concreto armado, garoa e trabalho!

Mil encantos não sei se encontrou, mas trabalho, mulher, filhos, entre outras tantas menos valiosas descobertas, ocorreram. E sotaques à parte, encontrou também o respeito deste parceiro literário!

Feliz aniversário, Marco Antonio Bogado!

Do amigo paulistano, em dívida,
Paulo Roberto Laubé
CABELO


Utopia no Quintal - Permacultura

Posted by Cabelo on January 20th, 2012 filed in Dia do Internauta
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Para se pensar e rever alguns comportamentos…


Pode me emprestar uma xícara de açúcar?

Posted by vitormendes on January 17th, 2012 filed in Algumas Palavras
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Pode me emprestar uma xícara de açúcar?

Ontem voltando para casa, dentro  do metrô, eu vi uma pessoa pedindo dinheiro. um homem já de idade de modo diferente, pedindo dinheiro.
Comecei a reparar nas pessoas ao redor e como elas o percebiam
Engraçado… Hoje no alto dos meus 32 anos me lembro que quando criança, minha mãe pedia para eu buscar na vizinha uma xícara de açúcar. Não tinha dificuldade, era um prazer para ambos os lados.
Eu, um pequenino com um copo vazio em mãos, saía correndo até a vizinha e não tinha quem negasse uma xícara de açúcar.
O que aconteceu com o mundo?
Lá, no metrô, enquanto o homem lacrimejava e suas palavras saiam de sua boca com dor, as pessoas ao seu redor tinham escondido seu açúcar.
Sinceramente, não sei se a postura das pessoas está errada.
Nosso açúcar ganhamos com suor, não do trabalho árduo do dia a dia, mas, de nossa própria natureza de sonhar e acreditar no próximo. Durante alguns anos, desejar e ter liberdade de viver algumas coisas, trouxeram tranformações em nosso comportamento. Se eu der o meu açúcar a todos, o problema não é ficar sem ele e sim para quem eu abro a porta. Quantas vezes acreditamos, abrimos a porta e nos machucamos? Será que mesmo assim, é o suficiente para não estendermos a mão?
As pessoas entraram numa roda gigante de serem pedintes, cada um no seu nível e fomos nos desgastando com mentiras e falsas promessas. As pessoas sempre tentando ser mais espertas, faltando com a verdade e integridade. Uma geração difícil de entender, sempre um passo a frente de você, preparada para tirar proveito no momento oportuno.
Lógico, eu fiquei constrangido com aquela cena no metrô, você notava que a pessoa não tinha um discurso ensaiado e que ela queria um pouco do doce que o açúcar traz diante de tanta amargura, mas não teve jeito. Era um quadro pintado com lágrimas. Foi amargo e silenciso. Não houve solidariedade e nem açúcar, de frente ao grande e caro estádio na Estação Itaquera ninguém tinha uma moeda, ninguém tinha um grão de açúcar.
Um Brasil que faz questão de dizer que está crescendo e que a fome está sumindo. Que fome é essa que está sumindo?
Como posso ver construírem palácios e de outro lado ver pessoas com xícaras nas mãos sem um grão de açúcar?
Impressionante que isto que testemunhei continuou a se desenrolar na história de um filme qual eu assistia. No filme, todos já nasciam com um relógio, todos da classe mais necessitada tinham pouco tempo e tudo era negociado com moeda tempo… tempo de vida. Onde, enfim, uma hora ou outra você simplesmente apagava.
Acho que este filme não está tão longe de nossos açúcares!
Estranho dizer que o Brasil é uma nação potencialmente farta e ver algumas ou milhares de pessoas sem tempo para arrumar algum tempo de conseguir aproveitar essa grande virada do Brasil.
Ontem a noite no metrô, pensei, se o dinheiro que eu estava doando vai mesmo ajudar aquele senhor. Vai apenas tirar de sua língua um pouco da amarga marca que o tempo desta terra tem provocado.
Todos nascemos iguais. Todos nascem com uma xícara vazia!
Um dia precisaremos fazer algo com ela, e você só pode viver o novo quando reparte o que tem. O que você tem é muito mais que moedas, você tem conhecimento que pode ser usado como voluntário para educar e criar novas pessoas para um novo Brasil.
Dons são como grãos de ouro que estão em você. Potencialize isso espalhando da forma que isso vai retornar para você com evolução de sua terra e das próximas gerações!

Estas foram apenas Algumas Palavras, que encontrei na minha xícara de açúcar.

Vitor Mendes


Dia do Ouvinte - Criolo e o Nó na Orelha

Posted by Cabelo on January 16th, 2012 filed in dia do ouvinte
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Criolo Doido, que em 2011 mudou para apenas Criolo, lançou seu segundo disco chamado Nó na Orelha, misturando rap (sua origem), soul samba, MPB, funk, bolero e blues. Primeiramente o álbum foi liberado gratuitamente na internet.

Aqui um dos seus grandes sucessos - lançados em single em 2010 e integrando o disco: “Subirusdoistiozin”

O disco não só teve uma ótima aceitação do público em geral como da crítica, e Criolo teve várias indicações ao Video Music Awards da MTV, vencendo nas categorias ”Álbum do Ano”, com “Nó na Orelha” , “Música do Ano” com “Não existe amor em SP” , e como “Banda ou Artista Revelação”. No dia da premiação cantou sua música sobre São Paulo com Caetano Veloso:

Além dessas canções, o disco apresenta “Freguês da meia noite”, “Bogotá”, e “GrajauEx”. Todas demonstrando o quanto o repertório de Criolo é variado e interessante, o que é mais que notório nas suas metáforas e também na criativa diversidade de composições com que ele apresenta e crítica a realidade paulistana.



Também podemos ouvir canções com uma verve mais enérgica e mais ligadas às origens do rap como “Lion Man”, “Sucrilhos” e “Linha de Frente”.


Por fim, deixo aqui a homenagem que Criolo fez a Chico Buarque, mas mais do que isso, mostrando a realidade da São Paulo que não gostamos de ver:


Crônica do Bogado - Bons Tempos de Ontem

Posted by bogadolins on January 15th, 2012 filed in Crônica do Bogado
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Acho que o sujeito já pode ser considerado de idade quando começa a ter pensamentos saudosos sobre uma época que não existe mais. Bom, se esta é a definição, então eu sou um deles. Não parece, mas quem exibe seus 28 anos já tem algumas coisas para se “lembrar”.

Lembro-me por exemplo de ir até a banca de jornais para comprar figurinhas e o jornaleiro, um gordo de bigode mal educado, consultar a bendita tabela. Todos os dias as editoras mandavam estas impressões plastificadas com as atualizações de preço de seus produtos, devido a inflação nossa de cada dia. Eu mesmo pensava que a inflação era uma condição, algo que nunca iria realmente mudar. Nem sabia que era coisa exclusiva de país pobre. Quando descobri, praticamente veio o real, e com ele a desconfiança se uma moeda que só tinha bicho e não gente de verdade e valia o mesmo que o dólar. De tão bom, não poderia durar.

Ainda nesta época, utilizávamos fichas para fazer ligações nos orelhões, cada vez mais raros. Haviam filas para utilizá-los, já que simplesmente não existiam celulares. Acho que não existiam nem ligações a cobrar, pois lembro-me de utilizar este serviço apenas depois da criação do tal cartãozinho. Ninguém podia encher o nosso saco com a bendita musiquinha. Nota: praticamente não havia telemarketing nestes idos tempos.

Posso dizer inclusive que passei por duas gerações de mídias de áudio. A primeira na minha tenra infância com walkmans e os rádios de pilhas gigantes que os suburbanos de cores variadas exibiam nos ônibus cheios a caminho  da praia. Depois veio a vez dos disc players que durante bons anos eram alvos dos assaltantes pelo seu preço razoavelmente elevado. Na época, cuidava de um como se fosse meu filho, trazido do estrangeiro pelo meu pai. Hoje sequer avisto um no metrô.

Os videogames então tornam-se obsoletos rapidamente. Eu poderia me considerar uma criança rica na minha rua. Tinha um Super Nintendo! Antes disto tinha um tal de Phantom System, que logo foi suplantado pelo Mega Drive, que tinha o Sonic, e o Nintendo, do simpático Mario. O Pac Man não comia mais ninguém.

Os nerds nesta época eram um bando de babacas mesmo. Hoje, quem diria, mandam no mundo e conquistam as mais gatas. Eu mesmo, meio esquisitão, distanciei-me ao máximo da imagem de estudioso, CDF, para não cair nesta laia. Como solução entrei no Grêmio Estudantil, que aliás era uma boa forma de matar aula com condenscendência das autoridades vigentes, os inspetores escolares no caso. Fora isto, tirei meu atraso de anos, e dei meu primeiro na boca na famosa festa CPII Atitude no Monte Líbano, que tocava Funks que eu achava que piores letras e músicas não poderia existir. Mais tarde descobri que estava errado. Eu tinha 13 anos de idade.

Aliás nossa época era cheia de perigos eminentes, vivíamos nos anos 90 do Rio de Janeiro, data que se passa o primeiro “Tropa de Elite” o que não nos impedia de ir até o colégio sozinhos. Nosso ponto de ônibus era apinhado de crianças e pré-adolescentes dos 9 aos 18 anos aguardando os ônibus para suas respectivas casas. Eu desde a 4° série, com meus 9 anos,  já pegava ônibus para a escola, na Urca primeiramente. Hoje vejo mães com receio de seus filhos de dezesseis saírem sozinhos.

E a escola, bem, era tudo no quadro negro. Tínhamos que escrever o dia inteiro com lápis e caneta. Sequer tinham computadores na escola para uso dos alunos. Desconfio que nem a diretoria os possuía. Contas e mais contas no punho e isto sem contar o esquadro, o compasso e a régua. Algumas provas eram na folha de papel almaço. A régua servia para fazer o cabeçalho. Quem diria…

Era uma época que gostávamos de nos fazer de malandros. A camisa do Colégio Pedro II, por exemplo, servia para pegar o ônibus de graça, seja para o cinema, passear ou fazer qualquer outra coisa que não fosse tomar cerveja. Mas se dessem cerva de graça, capaz de colocarmos as vestimentas só para não pagar o porre. Próximo de completar o colégio, durante boa parte dos últimos três anos, fazíamos “campanhas” de formatura para juntar uma grana e nos formar no cinema ou mesmo em algum boteco. Mais desta vida desonesta e poderíamos até nos tornar políticos, já que chegamos a conhecer o início da prática no movimento estudantil, mas, talvez por azar, acabei me desvirtuando e tornando-me honesto e completamente avesso a estas coisas.

As meninas então eram bem bonitas, com suas saias de colegial. Aglomeravam-se próximo a uma rua anexa ao colégio para se fazerem de bad girls, e darem uns tragos em cigarros Derby,Marlboro e Hollywood. Eu, por outro lado, era avesso a cigarros convencionais, e ficava vendo tudo aquilo de longe não entendendo para que tanto. Elas não me davam bola, preferiam os meninos mais velhos, enquanto eu queria as mais velhas. Hoje, sinto saudades da tal da saia colegial e fico pensando se talvez poderia ter aproveitado mais as belas meninas do meu colégio.

Eram bons tempos aqueles do ônibus 584, da Festinha Atitude e das subidas e saídas pela Rua João Affonso. Bons tempos aqueles de ontem.


A pequena história da minha bolseta

Posted by Cabelo on January 14th, 2012 filed in Crônica do Cabelo
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Sabe aqueles cinturões que policiais usam ou o cinto mil-e-uma-utilidades do Batman, uma das marcas da minha adolescência da qual ainda não me livrei é a pochete! É tão útil quanto fora de moda…

Lá por volta dos onze anos, minha mãe deciciu que eu poderia ter uma cópia da chave de casa, pois em breve eu passaria a voltar sozinho da escola, eu estava virando um hominho e todo esse papo. Ela só não me ensinou como fazer para que ao longo de cinco horas sentando e levantando das cadeiras da escola, jogando bola ou brincando, a chave não desaparecesse do bolso!

Bom, após algumas cópias perdidas, ganhei um belo adereço: um chaveiro com corda daqueles bons de girar nos dedos para pendurar as chaves de casa e do portão do prédio no pescoço. Parei de perder as chaves!

Pouco tempo depois, não perdi mais nenhuma chave, mas continuava perdendo várias outras coisas: os meus trocados, carteira da escola, cópia da certidão de nascimento (ainda não tinha meu RG)… Aí minha mãe - a sabedoria materna é sempre criativa! - ordenou que eu passasse a usar pochete, afinal as coisas precisavam estar presas a mim para que não as perdesse. Por incrível que pareça eu perdia também coisas que eu colocava na mochila da escola, não me pergunte como.

E foi bom, mesmo porque dois ou três anos depois pude carregar na pochete, além da carteira e da chave, meus maços de cigarros e isqueiros escondidos, halls ou kids, walkman, baralho, camisinhas, saca-rolhas, e otras cositas mas! A pochete transformou-se quase que num uniforme, não saía de casa sem ela. Até para a praia eu ia com ela (claro que se ficasse só de sunga eu tirava a pochete - e nunca tive sunga de crochê nem paletó de ombreiras como ridiculariza uma propaganda!). Aliás chegou a até a ser moda usar pochete! Embora eu não seja muito adepto da moda nem entenda muito sobre esse assunto…

Gostava de chamar minha pochete de “bolseta”, bolsa pequena, fazendo um trocadilho infame, que, por sinal, repeti inúmeras vezes, inclusive aqui no título.

Lembro uma vez, no segundo colegial, o professor de história que pegava no meu pé por conta do cabelo cumprido, sempre pedia para eu apagar a lousa. Quando acabei naquele dia, ele virou pra mim cheio de sarcasmo: por que você usa essa bolsa aí para trás? Sempre usei a pochete na bunda sem a menor crise com isso, e, todo cheio de mim, virei para o professor Luís: porque na frente já tenho o que tem que ter! E antes que a classe risse ele treplicou: Então você precisa de algo atrás?! E todo mundo caiu na risada. Nem por isso quis matá-lo…

No vestibular também tive problemas uma vez. Um fiscal cismou que eu tinha que tirá-la da cintura, mesmo mantendo ela pra trás. Isso que eu nem tinha pager ou celular. Aliás naquela época nem dinheiro tinha! E cola era algo que daria muito trabalho produzir… Tirei e deixei no chão e não esqueci na hora de ir embora.

Há dez anos quando comecei meu namoro, minha namorada já reclamava por achar feio e fora de moda. Mas, confiante que sou, continuei fiel à minha bolsa de cintura! Era quase uma bolsa mágica tantas as coisas que carregava nela! Na verdade, as vezes que tentei sair de casa sem ela eu sempre estranhava, parecia que eu estava esquecendo alguma coisa. Ou muitas. É muito difícil, cada dia é uma batalha, até porque a pochete é tão prática!

Aos poucos, ao longo dos anos, o conteúdo dela foi mudando. Parei de fumar, o saca-rolhas deu lugar a um suíço do Paraguai, o walkman se tornou mais que obsoleto com celulares e MP3 ou Ipod, o baralho deixou de ser essencial frente a um bloquinho de notas ou um gravador nos tempos do jornalismo. Em compensação as chaves, agora do carro também, a carteira, as camisinhas e escova e pasta de dentes são integrantes permanentes.

Mais recentemente passei por outro evento envolvendo minha pochete. Acho que não sou o único que tem problemas para entrar em bancos. É engraçado porque sempre estou com a pochete e o conteúdo declarado acima, mas raramente a porta giratória trava. No entanto, a agência onde tenho uma conta mudou de bandeira e passei a ser barrado todas as vezes que tentava entrar e, pior, eu já vinha deixando de usar a pochete.

Acontece que num dia com pressa, e com a pochete tentei entrar no banco e como sempre fui barrado. Já estava meio puto naquele dia, então olhei para o mesmo segurança e comecei a reclamar que era sempre a mesma coisa, que aquilo já estava ficando chato e blábláblá até que a porta foi liberada. Fui ao caixa, fiz o que tinha que fazer e, antes de sair, tirei o canivete da pochete fechado e indo em direção a porta mostrei para o segurança: olha com o que eu entrei nessa merda desse banco!

Guardei o canivete e saí de alma lavada

É, mas hoje a pochete não é mais bem vista, não só nos bancos. Tirando alguns ciclistas, corredores, e os comerciantes de rua ninguém mais usa pochete… Não sei por quê!

Estou tentando me livrar desse vício! Mas não deixo de carrega-la à cintura quando vou viajar, quando vou pedalar, quando estou sem mochila ou sem bolso… Ok, quase sempre estou com a pochete! Afinal, nem é tão ruim assim! Aposto que ainda vai voltar à moda!
Paulo Roberto Laubé
CABELO


Papo de Butequim - O tempo em “cheque”!

Posted by Cabelo on January 13th, 2012 filed in Papo de Butequim, Uncategorized
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“O passado é um cheque cancelado, o futuro é um cheque pré-datado, o presente é dinheiro na mão!”

Vitor Belfort, lutador de vale-tudo e “filósofo” nas horas vagas