Mora na Filosofia - Silêncio
Posted by Cabelo on March 10th, 2010 filed in Mora na FilosofiaComment now »
“Há tantas palavras que não dizem o silêncio.”
Herberto Helder
Papo de Butequim - Mentiras dos homens
Posted by Cabelo on March 9th, 2010 filed in Papo de ButequimComment now »
“Os homens mentiriam muito menos se as mulheres fizessem menos perguntas.”
Mora na Filosofia - Homenagem as Mulheres
Posted by bogadolins on March 8th, 2010 filed in Mora na FilosofiaComment now »
“Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para se fazer um lar.”
Provérbio Chinês
Crônica do Bogado - Jogo da Vida
Posted by bogadolins on March 7th, 2010 filed in Crônica do BogadoComment now »
Bergson no seu livro O Riso explica um dos principais mecanismos literários para separar o genêro do drama e da comédia. Os dois podem se utilizar do mesmo personagem, a diferença é sutil, ou melhor, grotesca. Para rirmos basta que não haja passado. Explico-me: o riso vem do estereótipo. Se você contar a triste história de porque que o avarento se avarou, discursando sobre seu passado triste, por causa da pobreza ou mesmo de uma família que lhe insinou impiedosamente a ser mão de vaca, no mesmo momento o riso se esvai. Woody Allen explorou muito bem este dilema no filme Melina, Melina. Faz uso de uma mesma história para descrevê-la primeiro com contornos dramáticos e depois de forma humorística.
Tal reflexão faz pensar sobre a condição humana. Quando rimos sobre alguém porque é ridículo, na verdade estamos rindo do seu estereótipo, esquecendo que há uma pessoa por detrás dele. Desta forma, pode-se considerar que há uma certa função social no riso: Mostrar as pessoas o que não deve ser feito, o que é ridículo socialmente.
Atualmente, porém, tenho refletido sobreos filmes de ação, utilizando-se do mesmo prisma. Precisamos de heróis que passem todos os obstáculos e matem todos os inimigos. Mas quem são estes inimigos? Os filmes de Hollywood são verdadeiras chacinas e se elas fossem de fato reproduzidas na vida real, acredito que a humanidade estaria subtraida de um boa quantidade de indíviduos. Mas o mais importante é perceber como eles são representados nestes filmes. Geralmente são o estereótipo de um inimigo, sem identidade e sem história. Se soubessemos igualmente porque aquele sujeito se tornou um ninja do mal - como por exemplo uma vida pobre nos bairros da china onde só comia arroz e cachorro, e isto quando tinha um vira-lata passando, até o momento que foi recrutado pela Organização do Mal, passando pelo um árduo treinamento e processo seletivo para finalmente poder ter uma vida um pouco melhor para si e para sua família de mulher e cinco filhos - daí não teríamos tanto prazer em ver o herói matando ele com um tiro ou com uma voadora mortal.
Vejo algo semelhante acontecendo nas grandes cidades. Estamos perdendo a sensibilidade, numa vida que reproduz os filmes de ação customizados e aventuras de videogame. O dinheiro mesmo parece um sistema de pontuação que ganhamos e gastamos numa velocidade frenética. E os obstáculos são as outras pessoas que buzinam para gente, nos multam, não querem nos dar desconto ou simplesmente não nos atendem bem num bar ou no supermercado. Caso você seja empresário, esta sensação se amplia consideravelmente, já que é experienciada em todo o seu dia-a-dia na empresa. Todos os funcionários são números, pontos, e se um ou outro não atinge um determinado patamar, você vai lá e pum. Já era. Esquece, e quem é empresário mesmo é bom nisto, que o sujeito tem família, filhos, contas para pagar, pai doente ou qualquer coisa parecida. É o jogo da vida.
Portanto naquele exato instante em que você surtar, gritando com um funcionário de um banco, com a pessoa que te fechou no trânsito, ou com qualquer um destes ninjas do mal que atrapalham o nosso cotidiano, lembre-se: eles também tem história para contar.
Crônica do desempregado formado
Posted by Cabelo on March 6th, 2010 filed in Crônica do CabeloComment now »
Há treze anos estive em um lugar como esse: jardim, árvores, álbuns bancos ao largo para se sentar, pedras, e prédios baixos espaçados e espalhados. Naquele tempo tudo não passava de brincadeira! Tudo era futuro e possibilidade. Meu ânimo e disposição me impediam de ter medo. Era só coragem. Um pouco de indolência própria da idade.
O amigo que estava comigo naquela tarde já há anos não vejo. Se é amigo, não sei. Naquele tempo não diria que não. E como ele tantos outros ficaram para trás com seus apelidos engraçados, indigestos ou incompreensíveis; e tantas histórias e estórias estão lá atrás também guardadas. As lembranças como sempre viajam na velocidade da luz, mais rápido do que posso revivê-las. Elas se somam, se acumulam, alegram e entristecem na mesma proporção. A memória é uma caixa preta - acho que já escrevi isso?
Alguns anos depois estive naquele lugar novamente e também revivi muitas coisas. É normal, eu acho. Não faço isso para sofrer. Nem é só sofrimento, embora seja um momento taciturno, ainda que o sol brilhe e queime minha cabeça sob o céu azul tal qual hoje. Não nego minha forte tendência à nostalgia. Mas quem não gosta de lembrar as coisas boas do passado? Por que tantas coisas boas no passado? Por que o presente…
Lembro que da segunda vez já não era tão corajoso, tão disposto; poucas possibilidades para o futuro. Nenhuma arrogância, e ainda era jovem. A vida acontece rápido, estando nós preparados ou não. Hoje apenas por estar em um lugar semelhante àquele, similar mas não o mesmo, já é suficiente para recordar com pesar que já se faz tantos anos. Aquele eu que eu fui ainda é, mas lá atrás, nas lembranças.
O muito cansaço daquela segunda visita não foi embora, mas tem outra causa. Há quem fique feliz, carrego duas graduações. Por muito tempo minha rotina era: trabalho, estudos, cansaço, não necessariamente nesta ordem e tudo ao mesmo tempo. Foram longos anos. Mas, e a vida? O cansaço como já disse ainda persiste e o sinto cada vez por menos. Dos estudos me sonhar com um mestrado. E claro, minhas leituras: não passo sem estar a ler ao menos um livro. Sempre tenho um a tira-colo para momentos de espera, no ônibus, no METRO, na sala de espera…
Já o trabalho… Como me faz falta. Sempre reclamei em todos os lugares em que trabalhei - quem não o fez? - mas nunca neguei fogo, até em empregos de que não gostei dei meu sangue. O desemprego me assola. Devo admitir: poderia trabalhar - não faltam empregos - basta que eu jogue no lixo os dez anos das duas graduações. Para ser operário, ou operador de telemarketing sobram vagas.
Por onde anda minha vida? Aquela que eu imaginei até poucos anos atrás. Aquela que vislumbrei sentado no banco daquele lugar que parece esse aqui. Não sei o que fazer. Pela primeira vez na vida não sei no que me apoiar, me fixar para seguir em frente. Vou sair desse lugar agora! Mas esse nem é o lugar… Os problemas estão cá dentro. Vão comigo para onde eu for. Ao menos hoje sei que tenho um amor, meu refúgio, meu norte às vezes inalcançável.
Seria eu um fracassado? Não sei. Por que não? Ainda espero muitos anos. Mas vai que… ainda há esperança.
Paulo Roberto Cabelo
Dia do Cinéfilo - Quem Quer Ser um Milionário
Posted by bogadolins on March 5th, 2010 filed in Dia do CinéfiloComment now »
As vezes parece que estamos no Brasil, já outras, de repente, tudo se torna exótico e longínquo. Mas está tudo ali: a pobreza, o crime, a malandragem e toda a pilantragem que costuma ser fomentado pela miséria. Ao mesmo tempo o filme consegue ser bonito e singelo, sem mostrar os estereótipos do que é a sociedade hindu. Aliás é representativo que o personagem principal seja um muçulmano hindu, é um outsider total.
O andamento do filme é todo feito a partir das perguntas feitas num programa de perguntas estilo Silvio Santos, onde o apresentador sempre rouba a cena do apresentado. Aliás, em determinado momento, há um embate entre ambos, resolvido no final.
É enfim, uma agradável surpresa, e que se utiliza bem dos clichês, a ponto de você só pensar neles depois do filme. O oscar aí foi mais que merecido.
Mora na Filosofia - Arte X Ideologia
Posted by Cabelo on March 3rd, 2010 filed in Mora na FilosofiaComment now »
“Obras de arte têm sua grandeza unicamente em deixarem falar aquilo que a ideologia esconde.”
Adorno (em “Literatura e sociedade”)
Papo de Butequim - Sexo e truco!
Posted by Cabelo on March 1st, 2010 filed in Papo de ButequimComment now »
“Sexo é como truco, Se você não tem um bom parceiro, é melhor que tenha uma boa mão…”
Copa do Mundo e a Conspiração Publicitária
Posted by bogadolins on February 28th, 2010 filed in Crônica do BogadoComment now »
Este ano estamos diante de um fenômeno que acomete a humanidade de quatro em quatro anos. Se você está pensando que são as eleições, enganou-se. Elas são incluídas na pauta justamente para passarem despercebidas, ou para embarcarem na onda do “campeão”.
Pois é, acertou quem falou Copa do Mundo. O fenõmeno, aparentemente adormecido, engana aqueles que pensam que “é só um mês e acabou”. Toda a mecânica de eventos, anúncios, reportagens, produtos e, sobretudo, besteiróis sobre o assunto está sendo meticulosamente preparada por mentes diabólicas que, bem, só querem pagar as contas no final do mês.
Quase a totalidade de empresas prepara eventos, promoções, convenções, stands, comerciais e patrocínios mostrando que, de alguma forma, estão carnalmente ligadas ao futebol, principalmente a seleção e seu possível título. E muitas delas amam mesmo o assunto pois esperam faturar horrores com esta e a próxima Copa, que terá ainda mais apelo. A “sociedade do espetáculo” já começou mas com certeza a artilharia pesada vai ser acionada aproximadamente um mês antes da dita cuja. Por incrível que pareça o alívio para esta galera virá na primeira semana da Copa propriamente dita para nós meros mortais porque, neste ponto, o que tinha que ser feito já foi.
As repercussões sem dúvida ecoarão por mais dois meses, principalmente se o Brasil for campeão, gerando resultados em diversas áreas, e é aí que retornamos a política. Se o Brasil for campeão, prepare-se para o petismo nos atormentar com mais quatro anos da ação entre amigos deles, senão, daí fiquemos prontos para quatro anos de tucanismo á la Serra, um ruim para um lado e outro ruim para o outro. E, pode crer, de alguma forma os publicitários deles também vão entrar na onda.
Por outro lado é sempre um refúgio para a falta de criatividade para os exaustos publicitários do mundo inteiro. Afinal sua jornada de trabalho difere da maior parte do resto dos seres humanos, não tendo hora em absoluto para acabar, numa escala industrial de idéias e conceitos customizados.
- O que faremos para a campanha da Monsanto?
- Que tal se fizermos algo sobre futebol?
- Mas eles não tem nada a ver com futebol!
- Ora, eles não alimentam os asiáticos com soja transgênica?
- sim, e daí?
- Graças a soja transgênica eles são saudáveis e podem jogar futebol.
- perfeito! Vamos mostrar que eles alimentam a Copa do Mundo! Que tal algo tipo “A Copa Transgênica”?
E de pastel em pastel, assim vai caminhando a publicidade.


